O preço oculto da liderança: Burnout silencioso em gestores de alta performance

Liderar é inspirar, direcionar e construir resultados através de pessoas. Mas por trás dos grandes números e metas batidas, há uma realidade pouco discutida: o esgotamento silencioso de líderes que carregam o peso da performance sem espaço para serem humanos.

Nos bastidores das equipes de alta entrega, muitos gestores vivem o dilema entre a cobrança constante por resultados e a culpa por demonstrar vulnerabilidade.


A pressão se disfarça de produtividade. A sobrecarga se esconde sob o nome de “comprometimento”. E o esgotamento emocional vai tomando forma, um pouco discreto, mas devastador.

 

Quando o cansaço deixa de ser apenas físico

O burnout em líderes não nasce do nada. Ele se constrói aos poucos, em jornadas longas, reuniões que nunca acabam, decisões difíceis e na solidão de quem precisa manter o equilíbrio o tempo todo.


Muitos líderes acreditam que “dar conta de tudo” é prova de competência. Na verdade, é o início de um processo de autonegligência emocional.

Sinais como irritabilidade, perda de prazer no trabalho, insônia e dificuldade de se desconectar são os primeiros alertas de um sistema que está pedindo pausa, e não por fraqueza, mas por limite humano.

 

A cultura da alta performance (sem sustentabilidade)

Nas organizações, é comum valorizar quem entrega mais, quem está sempre disponível, quem resolve tudo. Mas sem espaço para reflexão, escuta e autoconhecimento, o desempenho vira um ciclo exaustivo de autocobrança.
A liderança deixa de ser estratégica e passa a ser reativa, movida pelo que precisa apagar, e não pelo que deseja construir.

Líderes sobrecarregados geram equipes sobrecarregadas. A energia que conduz o time é a mesma que o contamina.

O novo papel do líder: cuidar de si para sustentar o time

O líder que transforma é aquele que entende que cuidar de si também é parte da entrega.


Revisar crenças, ajustar a forma de se relacionar com o trabalho e desenvolver inteligência emocional não são luxos, são estratégias de sustentação da performance.

Investir em autoconhecimento e em ferramentas de gestão humana é o que diferencia um gestor exausto de um líder que inspira e gera resultados consistentes.

Para refletir

Se você tem se sentido sobrecarregado, constantemente em alerta ou sem energia para o que antes te motivava, talvez não seja falta de competência, mas falta de espaço para reconectar-se consigo mesmo.

Liderar exige muito, mas também pode ser leve.
E essa leveza começa quando o líder entende que a transformação da equipe passa, primeiro, pela transformação de quem conduz.

Lahis Pinheiro

Psicóloga clínica e especialista em gestão de pessoas e negócio

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